Produtividade Humana – o novo nome da Felicidade

 

“Ser feliz não é viver apenas momentos de alegria, é viver com paixão e coragem para aprender, desaprender e reaprender. É saber para onde ir e simplesmente caminhar. É se propor a fazer e celebrar as conquistas.” (Carlla D’ Zanna)

Felicidade é um conceito intimamente ligado a motivação, meus estudos e observações, ao longo dos últimos 7 anos, me fazem acreditar nisso.

Segundo David McClelland, psicólogo e professor de Harvard, os motivos sociais (ou necessidades humanas) são responsáveis pela forma como as pessoas pensam, sentem e, consequentemente, agem. Felicidade tem a ver com ação, pois são nossas conquistas, sejam quais forem, que nos trazem essa tão almejada sensação. A motivação é responsável pela energia (força vital) e esforços dispendidos para alcançar um determinado objetivo, sem eles não poderíamos nos mover na direção pretendida.

Cada pessoa é 100% responsável pela própria felicidade, e isto é comprovado pela neurociência ao demonstrar que através da ativação do córtex pré-frontal esquerdo conseguimos produzir sensação de prazer.

Então, ouso definir felicidade como um ‘lugar’ (espaço) – “Pódio de Vida”-  conquistado através de uma conexão fluida que cada um de nós é capaz de estabelecer com a própria essência.

E produtividade? Para isso, contarei um pouco de história, pois classicamente, trata-se de um conceito originado pelas crescentes demandas industriais do inicio do século XX, quando Henry Ford criou a Linha de Produção, revolucionando os processos de fabricação. A indústria mundial passou por várias mudanças e a produção em massa se faz necessária. Em 1950, a Comunidade Econômica Europeia definiu, formalmente, o conceito de produtividade como sendo o “quociente obtido pela divisão do produzido por um dos fatores de produção”. Produtividade passa a ser associada à eficiência e tempo gasto para produzir. Desde então, o grau de produtividade de um agente econômico (pessoa, empresa, país, etc.) passou a ser um dos melhores indicadores do nível de eficiência e eficácia, tornando-se uma medida relevante para aferir performance. Segundo Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, a produtividade é o melhor indicador da eficácia da gestão. Em resumo, “produtividade significa fazer mais e melhor com menos recursos”, ou seja, quanto menor for o tempo levado para obter o resultado pretendido garantindo alto padrão de qualidade, mais produtivo é o processo, o sistema ou etc..

Mas isso parece cartesiano demais, como é possível pensar em comportamento humano x produtividade? E o que é que isso tem a ver com felicidade?

De fatoTudo! E para chegar a essa afirmação busquei estudos e teorias que me ajudaram a conectar Produtividade, Comportamento Humano e Felicidade.

A primeira vez que ouvi a expressão “Produtividade Humana” foi com Will Schutz, psicólogo e Ph.D criador do método The Human Elementâ, voltado ao fortalecimento das relações e ampliação da produtividade das equipes (Teoria FIRO – Fundamental Interpersonal Relations Orientation), e me lembro de ter pensado: “se produtividade humana significa ter habilidade para se manter flexível (capacidade de respeitar as diferenças) e aberto (ser capaz de falar de si para os outros de forma autentica) nas relações, a fim de resolver com agilidade e sucesso, qualquer tipo de impasse e assim ser mais eficiente na conquista dos resultados…”, então posso dizer que essa tal ‘PH’ é a capacidade de obter os resultados desejados na vida, com máxima eficiência e mínimo desgaste emocional. Será isso mesmo?

Tim Gallwey, em seu método de coaching “The Inner Game”, afirma que a performance de uma pessoa é o resultado do seu potencial menos as interferências, o que é traduzido na seguinte equação: Pf = Pt – I.

Somando isso ao que Drucker afirma sobre performance, posso dizer que o potencial humano é igual as suas realizações, ou seja, o próprio nível de produtividade do indivíduo. Desta forma, passei a pensar que PH é algo como a capacidade do individuo promover transformações pessoais ao longo da vida de tal forma que possa permanecer o máximo de tempo possível sobre seu “pódio de vida”.

E o que é Pódio de Vida? É um espaço pleno criado por cada um de nós, onde tudo flui com o máximo aproveitamento potencial e mínimo desgaste psicocomportamental (as tais interferências referidas por Gallwey). É o espaço para o qual desejamos caminhar quando iniciamos uma jornada de desenvolvimento e aprendizagem. É o lugar que cada um pode chamar de felicidade, pois é lá que toda conquista tem uma dose de prazer e todo prazer tem uma dose de conquista. O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, que idealizou a Teoria do Flow (do inglês: fluir) parece compartilhar dessa visão, pois propõem que, para estarmos nesse espaço de fluidez, ao longo da vida, devemos produzir sempre com muita espontaneidade, a partir de um estado mental de grande concentração ou presença e que, para isso, sempre deve haver equilíbrio entre as habilidades do indivíduo e os desafios assumidos (sejam eles propostos por si mesmo ou outros).

Concluindo, é possível dizer que todas as vezes que um individuo estiver sobre seu Pódio de Vida, seu índice de Produtividade Humana será elevado, indicando eficácia em relação a própria vida. Ou seja, Produtividade Humana é o quociente obtido pela divisão do nível de satisfação com o que um indivíduo produz na vida pelo tempo e energia emocional utilizados. E me atrevo a dizer que felicidade é o nome dado ao resultado dessa divisão, o que me leva a deduzir que Produtividade Humana é igual a Felicidade.

Como coaches nos propomos a apoiar as pessoas a se moverem e com isso atingirem seus Pódios de Vida, por isso somos fortes aliados das pessoas no alcance da tão almejada Produtividade Humana.

Carlla D’ Zanna    –   março/2016   –   carlazanna@transformacaoconsultoria.com.br

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O cérebro do empreendedor

Por Katia Gaspar

Coach de empreendedorismo

Um dos temas muito em voga nos últimos anos tem sido o empreendedorismo. Muito na linha da inovação que já faz parte dos comportamentos esperados da maioria das empresas, e que vem sendo tratado como o Santo Graal que nos salvará da mesmice e içará uma empresa ou negócio ao patamar daqueles que se beneficiaram do espírito empreendedor como Facebook, Twiter, Apple entre outros. Esse conceito tem despertado interesse entre pesquisadores e jovens que buscam entender seu mecanismo e a receita para encontrar aqueles, entre nós, com esse talento tão raro. Apesar de parecer um tema recente, o conceito de empreendedorismo foi introduzido por Peter Druker há mais de 20 anos, em seu livro Espírito e Inovação. O livro aborda o empreendedorismo através do comportamento e da atitude do empreendedor e as mudanças necessárias para garantir que esse comportamento tenha um impacto positivo nas organizações e na sociedade.

Define- se como empreendedor “qualquer pessoa que tem a capacidade de encontrar soluções para os problemas”. Estas soluções não se originam apenas quando discordamos das práticas convencionais, mas também quando pensamos “out of the box”.

É importante lembrar que o verdadeiro empreendedor entende que as soluções encontradas tem o compromisso de gerar receita e/ou uma experiência positiva a todos os “stakeholders”. O empreendedor tem a mente voltado para o benefício do todo e não para si mesmo.

Alguns acreditam que as pessoas já nascem empreendedoras e que é necessário mover céus e terras na busca por esses talentos tão raros e tão valorizados, mas recentes pesquisas mostram que o comportamento do empreendedor pode ser desenvolvido. Com o avanço da neurociência, tem sido possível estudar como a mente do empreendedor funciona. A partir do entendimento do cérebro, podemos desenvolver nas pessoas o comportamento e a atitude do empreendedor.

Como já foi dito, a principal característica de um empreendedor é a sua atenção voltada para a solução do problema. Isso tem papel fundamental para criar novas conexões cerebrais. Quando o indivíduo foca na resolução de um problema, o pensamento muda na direção das ações necessárias para resolver essa situação específica.

A tomada de decisão e a busca de soluções é uma função cerebral localizada na região do cérebro chamada córtex pré-frontal, que fica atrás da testa e é uma parte do córtex geral. Foi a última região do cérebro a ser desenvolvida na evolução do ser humano e corresponde a 5 % do volume total do cérebro. O córtex pré-frontal é responsável por processar as informações e criar as conexões necessárias quando buscamos respostas para certos impasses.

O processo da atividade de consciência feita pelo córtex pré-frontal consome muita energia. Essa energia precisa ser usada de maneira eficaz e a forma que o cérebro empreendedor encontra é manter o foco na visão (nesse caso a solução do problema) e assim desenvolver alternativas viáveis para alcançar esse objetivo.

Além da habilidade de planejar ações com foco na visão, pessoas com comportamento empreendedor são menos inibidas e intuitivamente reconhecem que é da ação que derivam o aprendizado e novas as idéias a serem testadas. São essas idéias e aprendizados que fornecem ao cérebro novos caminhos neurais e aumentam a possibilidade de novas conquistas.

A mente do empreendedor visualiza sempre um rompimento. Ele rompe com o próprio modelo mental e se lança em um processo criativo de inovação mas mantendo a consciência de que toda a inovação envolve riscos calculados. Isso mantém uma certa lógica ao processo criativo e gera resultados realistas apesar de inovadores. Isso também faz com que pessoas que tem o comportamento empreendedor quando confrontadas com problemas são mais rápidas em encontrar uma solução.

O fato é que existem pessoas que naturalmente possuem atitudes e comportamentos de empreendedor, porém todos tem o potencial para desenvolver sua capacidade de criar soluções a partir da compreensão de seus talentos, gerando benefício para todo entorno. Assim seria possível trabalhar certas competências que são essenciais no desenvolvimento pessoal e profissional do individuo, tais como: automotivação, autoconfiança, consciência emocional, relacionamento interpessoal, visão estratégica, entre outras. Descobrir, compreender e desenvolver esses comportamentos para contribuir para um mundo em constante mudanças. Buscar soluções pode ser desafiador mas extremamente relevante. Pessoas que se abrem para desenvolver esse espírito e essa capacidade de criar soluções tem o potencial para encontrar as oportunidades e gerar novos produtos e serviços. Desta forma estas pessoas se tornam essenciais para o sucesso de uma organização e trazem benefícios à sociedade.